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1 ano depois ...

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1  ano depois...  o  que mudou? Mudou muita coisa nos últimos 365 dias de minha vida. Primeiro perdi uma filha amada e tive que aprender a viver sem ela, com um buraco no peito, lágrimas de saudade e fortalecimento na fé . Precisei aprender como se vive com um vazio tão grande no coração, com uma dor profunda que por vezes foi dor física, doía até para respirar. Teve um dia que Cris tiano me examinou com medo de eu estar e nfartando, era muita dor no peito, estávamos em Miguel Calmon na ocasião citada. Outro dia estava com minha amiga Toinha na porta da escola de  Cadu  e senti a dor mais uma vez, ela queria me levar pra clínica, mas falei que passava depois de alguns minutos...  tudo  passa não é mesmo?  Me apego  a isso para viver...  Aprendi a sorrir e ser feliz novamente , aprendi  de fato a conviver com a dor. Creio que me tornei mais forte, mas também mais fria, porque a dor do outro não dói mais em mim como doía antigame...

Quase um ano depois ...

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Quase  1  ano depois ... Essa última semana estou  muito sensível, chorando por tudo. Dia 4 de fevereiro foi aniversário de meu esposo Cristiano, um ano atrás pass amos a data na UTI do Hospital  Aliança, Mel fazendo hemodiálise pela primeira vez na vida, com PAM (acesso que mede a pressão em tempo real),  entubada , estado gravíssimo, tivemos medo que ela morresse no dia dele, mas orei muito a Deus para que isso não acontecesse. Deus mais uma vez ouviu minha oração, mesmo  entubada  e grave, foi o último aniversário que ela pode estar presente, o do papai lindo dela.  Passei os últimos 15 dias envolvida com a reforma do túmulo de Mel, da lápide, escolha de foto e frase para  eternizar ...   isso deve ter mexido comigo também. Mesmo tanto tempo depois, tem gente que não sabe da morte de Mel.  Quarta ,  dia 5 ,  encontrei  um conhecido nosso, ele me perguntou logo: “Cadê a menininha? Tudo bem?” Só bastou is...

A Cadeira de Rodas de Mel

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A CADEIRA DE RODAS Abril de 2017, eu e Mel fomos para São Paulo fazer a bendita cadeira de rodas que Mel tanto precisava. Mas antes ,   deixa  eu contar uma história. Quando tive o diagnóstico da Síndrome de   Down  em abril d e 2013, grávida, chorando muito, uma amiga da área de saúde virou para mim e disse:  Mirela ,  de  todas as síndromes existentes, a de   Down  é a  mais tranqüil a , são tão lindos, são carinhosos,  aprendem tudo, só demo ram mais um  pouco,  vou te mostrar umas fotos para tu veres como são lin dos. Compli cado seria se fosse autista amiga , algu ns têm  dificuldade de interação, não sabem expressar o que sentem, tem um tratamento mais difícil . Ou pior ainda se fosse  um diagnóstico de  PARALISIA CEREBRAL , que trás diversas limitações . Eu só foquei na paralisia cerebral, me deu um Start naquela frase dela, um medo de  imediato. Então agradeci ela ter apenas a Síndrome de ...
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11 meses de saudade. Os meses passam, o sofrimento é amenizado, as lágrimas diminuem, mas a presença ainda é muito forte.  Ontem fez  1  mês que Fel ipe nasceu e que eu renasci.  E ncontrei um novo motivo para sorrir todos os dias. Até as madrugadas que acordo para trocar frald as e amamentar são felizes . Sou constantemente presenteada com sorrisos e meu coração fica em festa.  Nesse último mês recebi mais uma mensagem de Mel, que me deixou muito feliz e tendo cada vez mais certeza que ela sabe da s coisas, que está sempre perto de mim e que intercedeu junto a Deus para que eu recebesse Felipe em minha vida. Aprendi a conviver com a dor e saudade. Às vezes sinto que me tornei um pouco fria, não gosto disso, mas acho que o sofrimento e todo o contexto que me vi envolvida levaram a isso de alguma forma. Fria no sentido de pensar que todos podem suportar suas dores, por maiores que sejam; que não precisam da piedade alheia e nem de “ coitadismo ”, porque ...

Permitir-se

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Permitir-se Porque é tão difícil permitir-se?  Já parou para pensar quantas pessoas se sentem culpadas por estarem se fazendo bem e se priorizando? Muita gente passa a vida sem se permitir, com medo do julgamento alheio. Nessa categoria têm também aquelas que não sabem dizer não, que querem agradar a todos, mesmo que sejam prejudicadas de alguma forma. Nós mulheres, quando nos tornamos mães, tendemos a nos sentir mais culpadas, ficamos mais preocupadas com a opinião alheia.  Quando de dicamos um tempo para cuidar das unhas e cabelos, ouvimos logo uma piadinha, se vamos a uma festa com o marido ouvimos outra piadinha, como se “mãe” deixasse de ser mulher, deixasse de ser esposa, como se nossa única obrigação fosse ficar cuidando das crias. Pior quando interiorizamos esses comentários maldosos e nos fechamos num casulo, ficamos em casa vivendo em função do s  filho s  e se anulando pro mundo. Com a maturidade adquirida ao longo dos anos aprendi a dizer nã...

Reflexão 2019

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Acabou 2019, que ano intenso.  Um ano inesquecível. As lágrimas foram constantes esse ano, muito sofrimento e uma dor que jamais imaginei sentir. Realmente perder um filho dói e fere a alma. Continuo pensando que Mães não deveriam viver a perda de um filho. Mas também afirmo que se vive, a vida segue seu curso, Deus fortalece. Ele conhece nossos corações, nossa força e quando pensamos em fraquejar, Ele chega para nos sustentar, nos mostra que existem dores maiores que as nossas, que todos têm problemas dos mais variados, que nossa dor é só nossa e que se fazer de coitadinha não ajuda em nada. Por isso que decidi não me lamentar, não ser chata e buscar ser feliz todos os dias. Não tenho cara e nem jeito de coitadinha, não tenho vocação para tal. Isso não quer dizer que eu não chore e não sofra, pois não sou de aço. Mas hoje, as lágrimas são mais contidas, não há desespero, só muita saudade e gratidão. A saudade é real e vai me acompanhar eternamente. Penso que aprendi a conviver ...

Natal 2019

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O ano passou voando literalmente. Um ano difícil para mim, regado a muitas lágrimas, sofrimento, aprendizado, mas também cheio de viagens, surpresas e alegrias. Impossível não lembrar do natal de 2018, da árvore de Natal nova que comprei para festejar Mel em casa após outro internamento, da família toda reunida, da comilança, dos presentes, os sobrinhos todos correndo da sala pra brinquedoteca, fazendo aquela bagunça gostosa que só existe onde as crianças estão presentes, uma alegria verdadeira.Foi um fim de ano sensacional, tanto o Natal como o Réveillon, ambos com muito amor, harmonia e alegria. Esse ano não posso falar que estou triste, mas também não estou feliz. Queria que nem tivesse Natal esse ano, pra que eu nem lembrasse do último ano, que foi maravilhoso. Posso confessar que Felipe é um enviado de Deus para alegrar meu fim de ano. Como tenho poucos dias de pós parto, não pude ir pra casa de meu irmão me juntar à família, pois preciso deixar Felipe resguardado, por conta das...