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Nossa piscina!

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     Nossa piscina foi inaugurada no dia 4 de fevereiro de 2018, desde então sempre que podíamos curtíamos nela. Um ano antes, janeiro de 2017, fomos veranear na Ilha de Boipeba e quando Mel entrou no mar, mexeu as perninhas. Fiquei em êxtase e descobri que ela gostava de água. Apressamos a finalização de nossa piscina e todas as sextas e sábados ficávamos 1 hora na piscina brincando e exercitando. Mel ganhou muita força nas pernas e a alegria dela era nítida.              Quando eu começava a arrumar ela para descer para a piscina ela já sorria. Colocava o maiô, protetor solar, laço e óculos de sol, falava assim:” - Quem vai para a piscina agora???” Ela chegava a gargalhar de tanta felicidade. Ela era tão sabida, que quando chegava a hora de sair da piscina, eu avisava que tinha completado 60 minutos dentro da água e ela precisava sair por causa da gastrostomia. Na mesma hora ela fazia boquinha de c...

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Eu sempre fui uma pessoa de fé, cresci na Igreja católica, fui batizada ainda criança, fiz primeira comunhão, sempre rezei em casa, meus pais faziam parte do Encontro de Casais com Cristo, minhas avós e familiares creem muito em Deus e passaram esses valores para os mais novos. Toda procissão de Nossa Senhora da Conceição ou da Páscoa (Domingo de Ramos), mainha nos levava. Na fase da adolescência, cheguei a frequentar a Igreja Presbiteriana, que por sinal gosto muito e às vezes ainda visito. Minha preferida entre as evangélicas. Não me converti na época porque meus pais não aceitavam, afinal éramos católicos e porque não poderia mais dançar forró. Eu não imaginava minha vida sem dançar um forrozinho de Flávio José. Minhas amigas falavam que com o tempo eu nem sentiria vontade de estar nas festas de São João dançando, mas não quis arriscar. Amava demais meu forró para abrir mão dele. Uma vez que na Igreja católica eu seguia rezando, tendo fé e dançando no São João. Assim pensava...

1 mês sem Mel: 16 de Março de 2019

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Nesse um mês escuto sempre as mesmas coisas. As pessoas me perguntam como estou, falam que sentem muito, falam que Mel está bem, que melhor ela ter ido primeiro que eu, senão o que seria da vida dela sem mãe? Essa última colocação até faz sentido, Deus não permitiria que minha filha ficasse desamparada sem mãe, sem meu amor e meu cuidado. Então melhor que seja eu a sofrer com essa ausência e não ela. Eu tenho entendimento que Deus faz tudo certo, já rezei muito esses dias todos,até ajoelhada chorando, implorando a Deus que me ajudasse a ter alegria de viver novamente. Não tenho perfil de uma pessoa depressiva, não sou de lamentações, quando não estou bem, eu me calo, choro, sinto minha dor, pego meu celular e olho fotos e vídeos mil vezes. O que tenho certeza absoluta é que ninguém está sofrendo como eu, que esse vazio é exclusividade minha. Que as lágrimas derramadas por mim são sinceras e cheias de saudade. Não estou cobrando lágrimas de ninguém, não precisa ninguém sof...

Últimas 24h com Mel...

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Naquela sexta-feira 15 de fevereiro de 2019, acordei 5h da manhã assustada porque estava tendo um pesadelo com Mel. No meu sonho/pesadelo nós estávamos as duas deitadas, cada uma em uma maca, ambas fazendo hemodiálise, ambas com câncer, lado a lado. Aí ela olhava para mim e falava: Eu vou desistir. Eu olhava para ela e dizia: Você não vai desistir Melissa. Eu estou aqui “fudida”, doente, cuidando de você, você não vai desistir. Ela olhava para mim, sorrindo, linda e dizia: Eu vou desistir! Eu mais uma vez rebatia: Você não vai desistir Melissa! E ela olhou para mim a última vez e afirmou com um sorriso no lábio e olhar profundo mais uma vez: Eu vou desistir. Nesse momento acordei com o movimento das enfermeiras. Paloma e Sâmara avisaram que Mel tinha piorado do nada, que precisaram aumentar a FI do ventilador. Quando olhei para o ventilador (aparelho que controla a pessoa entubada), quase surtei,entrei em pânico. Mandei mensagem e liguei para meu esposo, depois para o Dindo dela...